ALESC debate envenenamento das águas nos municipios catarinenses

Farmer spraying pesticide in Thailand

Na segunda-feira, 30, foi debatido em audiência pública da Comissão de Turismo e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, a contaminação das águas para consumo da população de Santa Catarina. O Estado, economicamente dependente dos produtos do meio rural, vem deixando a cobrança de regulamentação do uso de agrotóxicos a desejar, ação essa, que pode trazer consequências negativas para a saúde da população.

O Deputado Padre Pedro Baldissera, proponente da audiência, informou que diversas entidades ligadas ao monitoramento da contaminação da água usada para o consumo, solicitaram o debate. As solicitações foram reforçadas após a divulgação de estudos realizados pelo Ministério Público Estadual, constatando a presença de resíduos de agrotóxicos nas águas que chegam às torneiras de municípios catarinenses.

Em dados apresentados pela professora da UFSC e Presidente do Fórum Catarinense de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos (FCCIAT), Sônia Hess, mostraram a presença de agrotóxicos em mananciais que abastecem 60 municípios catarinenses. As amostras coletadas mostram que os índices estão dentro do permitido na legislação brasileira, mas estão bem acima do que é tolerado na União Europeia, por exemplo.

Substâncias prejudiciais à saúde como atrazina e simazina, que estão banidas dos países europeus desde 2004, foram encontradas nos mananciais. “A verdade é que não há um empenho do poder público em aprofundar pesquisas, avaliações e estudos para levantar com precisão o real nível de contaminação das nossas águas. Não só as superficiais, hoje temos indícios da contaminação das águas subterrâneas”, afirmou Baldissera.

Uma regulamentação mais rígida poderá ser um meio de diminuir o impacto do efeito dos agrotóxicos na saúde da população. A partir do segundo semestre de 2022, o Centro de Apoio Operacional do Consumidor (CCO) ficará responsável por monitorar o abastecimento de água dos 295 municípios catarinenses. Um grupo de trabalho composto por representantes das entidades que participaram da audiência trabalhará para aprofundar as demandas levantadas.

Fonte: Agência ALESC