Análise: defesa frágil é lição para Botafogo tirar de eliminação

Luís Castro deixa o gramado do Niltonb Santos após eliminação - Foto: André Durão

A Copa do Brasil se tornou página virada para o Botafogo, mas deixou um recado importante para o restante da temporada: o time precisa estancar a defesa frágil que muda muito e leva muitos gols. Na eliminação para o América-MG, os erros de marcação pesaram mais do que a falta de poder de decisão.

Os gols sofridos na derrota de 2 a 0 da última quinta-feira se somaram a outros 42 que o Botafogo sofreu em 33 jogos dessa temporada. Até agora, em 2022, a equipe saiu de apenas nove partidas sem ser vazada, só que quatro delas foram pelo Campeonato Carioca e duas contra o frágil Ceilândia.

No Brasileirão, só quatro equipes levaram mais gols do que os 21 que o Botafogosofreu em 16 rodadas do campeonato. Todos lutam contra o rebaixamento.

Muitas formações e problemas

A causa não está nos jogadores de defesa, especificamente, mas na instabilidade de uma equipe que é obrigada a se modificar com frequência. O técnico Luís Castro atribui as dificuldades ao número considerável de lesões. As baixas em sequência obrigam a mudanças no time titular e até na formação tática.

- Nós já jogamos com dois volantes, um volante, 4-4-2, 4-2-4, 3-5-2, 5-3-2, 4-3-3... Percorremos vários caminhos na temporada por conta da grande instabilidade que temos. Podemos falar da evolução comportamental. Uma equipe que evolui de forma natural não tem essa alternância - disse, ao ser perguntado sobre a evolução da equipe.

No momento, nove jogadores estão afastados por problemas físicos. Na última quinta, o clube ganhou mais um para aumentar a conta: Patrick de Paula sentiu dores no músculo posterior da coxa direita e saiu de campo chorando. Ausências que causam buracos em um elenco que precisaria de reforços mesmo que todos os atletas atuais estivessem em plena forma.

Vacilo enterrou reação

Contra o América, no Rio, o Botafogo não repetiu a atuação desastrada que apresentou em Belo Horizonte, na ida. O time carioca dominou a maior parte do jogo. Fez por merecer a vitória, mas não o placar elástico que precisaria para a classificação.

No ataque, o que não faltou foi tentativa pelo gol que não saiu. As estatísticas da Globo apontam 22 finalizações, o dobro em comparação com o adversário. O time teve como marca a agressividade desde os minutos iniciais, mas um vacilo defensivo colocou tudo a perder.

Patrick tomou drible fácil no meio de campo no início da jogada. Dentro da área, Saravia e Carli focaram na bola e não viram Henrique Almeida, que apareceu livre para servir Felipe Azevedo. Foi o 1 a 0 do América, gol que mudou o clima no estádio de apoio para revolta e enterrou as esperanças alvinegras.

Sem a Copa do Brasil, o Botafogo colocará todos os esforços no principal objetivo da temporada: a permanência na Série A. A equipe faz campanha dentro do esperado, na 10ª colocação, mas o campeonato bastante disputado coloca apenas três pontos de diferença para a zona de rebaixamento.

No próximo domingo, às 18h (de Brasília), no Nilton Santos, o Botafogo volta a campo para enfrentar outro recém-eliminado da Copa do Brasil: o Atlético-MG. A partida é válida pela 17ª rodada do Brasileirão.