Análise: eficiente, Cruzeiro supera cenário difícil e alcança metade da “pontuação mágica” por acesso

Edu e Bidu comemoram gol do Cruzeiro contra a Ponte Preta — Foto: Staff Images/Cruzeiro
ge Belo Horizonte

Time tem momentos de dificuldade contra a Ponte Preta e mostra que Pezzolano precisará, mais uma vez, reinventar sem Jajá; Cruzeiro mostra condições de passar pelo Flu na Copa do Brasil

Cruzeiro venceu mais uma por 2 a 0, no Mineirão. A vítima foi a Ponte Preta, adversário que impôs dificuldades. O time de Paulo Pezzolano viu praticamente se repetir o roteiro da vitória sobre o CRB, saiu com os três pontos e deu mais um passo importante rumo ao acesso à Série A do Brasileiro.

Como a imensa maioria dos adversários, a Macaca jogou no Mineirão priorizando a defesa e buscando incomodar o Cruzeiro em descidas rápidas. E fez bem. Se defendeu com duas linhas bem ajustadas, tirando espaços por dentro, e levando perigo principalmente com Fessin e Nicolas.

Cruzeiro sentiu muito a falta de Jajá, que vai ficar fora por tempo indeterminado. Não tinha jogadores para lances individuais, e Bidu ficou sozinho quando avançava pela esquerda. Canesin muito mal, não conseguia ser eficaz na armação de jogadas e nem intenso para combater quando subia a marcação.

A diferença em relação a outros jogos difíceis que o Cruzeiro teve, é que a Ponte Preta não conseguiu pressionar tão bem a saída mineira. Willian Oliveira e Neto Moura conseguiram jogar. E só por isso o time conseguia, minimamente, chegar perto da área adversária.

E foi em um desses lances que o Cruzeiro destravou a partida. Neto Moura teve liberdade no meio e deu lançamento primoroso para Edu, que dominou, ajeitou e colocou nas redes. Foi anulado, mas o VAR evitou o erro no Mineirão. Inteligência do volante, e poder de decisão do atacante. As individualidades que mudaram a partida.

Lá atrás, destaques individuais foram Eduardo Brock, soberano nos duelos individuais, e Rafael Cabral, essencial para não deixar a Ponte abrir o placar.

A torcida jogava junto, e o Mineirão passou a pulsar ainda mais. O ambiente era bom, e o jogo também ficou bom para o Cruzeiro. Melhorou ainda mais com o segundo gol, marcado por Bidu, no início da segunda etapa. A partir de então, o controle foi mineiro, e o placar poderia ter sido mais elástico. Cenário idêntico ao 2 a 0 contra o CRB.

Cruzeiro venceu e chegou aos 31 pontos. Marca incrível, de 79,5% de aproveitamento. O Time chegou à metade da pontuação considerada segura para o acesso (62), restando mais de 60% da competição pela frente. Líder absoluto, com vantagem que pode ser de seis pontos para o vice-líder e de 13 pontos para o quinto colocado.

Ainda que tenha vencido – e tenha sido merecedor –, o jogo deixa claro que Paulo Pezzolano terá, mais uma vez, que se desdobrar para reinventar o sistema ofensivo, agora sem a presença de Jajá. Qualidade para isso, o técnico tem. Mudou o Cruzeiro sem Vitor Roque e também no momento em que não tinha meias à disposição, com lesões de João Paulo e Canesin.

A ausência de Jajá, pelo estilo de jogo do Cruzeiro e também pela forma como os adversários enfrentam o time, talvez seja a mais sentida entre todas essas. Mas a Ponte, primeiro obstáculo, foi vencido. E arrumar o time com vantagem na tabela e vencendo sempre será mais fácil.

O foco, agora, é a Copa do Brasil. Quinta tem duelo de ida com o Fluminense, nas oitavas de final. Ainda que o Cruzeiro não seja favorito, principalmente pelo aspecto técnico, ele ganha moral com mais uma vitória na Série B e se coloca, sim, em condições de bater o rival carioca.