Análise: goleada põe fim a jejum do Corinthians em clássicos e permite ao torcedor se empolgar

Gol Giuliano Corinthians x Santos — Foto: Marcos Ribolli
ge — São Paulo

Timão precisava vencer um jogo grande: 4 a 0 contra o Santos encaminha a vaga na Copa do Brasil

Faleceu na noite de quarta-feira, 22 de junho, em São Paulo, o jejum de clássicos do técnico Vítor Pereira no Corinthians. Não deixará saudade no torcedor, muito menos no português, que se irritava ao ser perguntado e dizia ser bom de clássico em sua carreira. Desta vez, mostrou que é.

Depois de tropeçar nos rivais nos primeiros duelos do ano, o Timão enfim venceu o Santos, no primeiro jogo das oitavas da Copa do Brasil. E venceu com autoridade, de forma marcante e incontestável. A classificação está praticamente garantida.

Com uma intensidade absurda, o Timão construiu um placar de 3 a 0 ainda no primeiro tempo, nos 45 minutos mais perfeitos da equipe sob o comando de Vítor Pereira. No segundo tempo, fez 4 a 0.

Um time seguro, atento, com volume e letal nas finalizações. Escalado no usual 4-3-3, o Corinthians teve um diferencial na partida: Willian. Foi uma dos melhores atuações do camisa 10 em seu retorno. Com liberdade, começou pela esquerda, mas flutuou pelo meio e depois foi jogar no lado direito.

Participou dos três gols: da jogada que rendeu o cruzamento de Piton para o gol de Mantuan; deu o passe que Fagner recebeu e cruzou para o gol de Giuliano e, ainda na etapa inicial, cobrou o escanteio do gol de cabeça de Raul Gustavo. Atuação decisiva, ativa, de nível altíssimo. Animou o torcedor.

Mas não apenas Willian jogou bem. O sistema defensivo foi seguro, os laterais avançaram com liberdade - a volta de Fagner, aliás, tornou o time muito mais forte. No meio, Du Queiroz fez outra partida de alto nível, e Cantillo, que peca com frequência na marcação, foi firme e fez desarmes.

Soma-se a eles um Giuliano articulador, com boa movimentação, finalizando, pisando na área para marcar gols (dois) e buscando tabelas. Um Mantuan polivalente e circulante, com ímpeto de finalizar; e um Róger Guedes incansável e também com apetite de gols.

O atacante, aliás, perdeu uma boa chance quando o jogo ainda estava em 0 a 0, após boa jogada coletiva.

Foram 10 finalizações a quatro no primeiro tempo. Os 3 a 0 foram até pouco. Com a boa vantagem, o Corinthians fez algumas substituições já pensando na sequência de decisões que tem pela frente, tirou um pouco o pé e curtiu o conforto da superioridade numérica quando Zanocelo foi expulso.

O quarto gol veio, novamente com Giuliano. VP fez mudanças e, em dado momento, nove jogadores formados na base do clube estavam entre os titulares. Vitória dos miúdos.

A definição da vaga será na Vila Belmiro, dia 13, mas o Corinthians conseguiu construir no primeiro duelo um placar que dá completa tranquilidade para a grande decisão. Muito antes, só três dias depois deste clássico, novo jogo com o Santos, de novo em Itaquera, mas pelo Campeonato Brasileiro.

Vìtor Pereira, mesmo com os desfalques do dia a dia (não teve Gil e Renato Augusto, com dores), foi vencedor em sua estratégia, levou a campo uma escalação perfeita e teve muito mérito em sua primeira vitória em clássicos. Uma atuação que permite ao torcedor, enfim, se empolgar no ano.

O Timão, depois de ser muito questionado, será exaltado por seu desempenho. Unir bom futebol a resultados (que já vinham no Brasileirão) pode fazer do time um candidato a coisas grandes em 2022.