Análise: sem chute no alvo, Atlético-MG sucumbe em noite infernal (outra vez) no Maracanã

Hulk, Filipe Luís e Léo Pereira; Flamengo x Atlético-MG — Foto: André Durão
ge — Belo Horizonte

Galo sofre dois gols de Arrascaeta e é eliminado pelo Flamengo nas oitavas da Copa do Brasil; goleiro Santos não tem trabalho; Allan e Alonso falham individualmente em atuação desastrosa coletivamente

Foi mais uma visita do Atlético-MG ao Maracanã para ser lembrada, aprendida e corrigida. Se for esquecida, tende a se repetir. Antonio Mohamed errou muito. O técnico do Galo, de postura corporal mais fria, viu o time sucumbir no tal "inferno" montado pelo Flamengo.

O atual campeão da Copa do Brasil está eliminado nas oitavas da competição. O sorteio foi cruel, o gol de Lázaro, no jogo de ida, mais ainda. E o desempenho do Alvinegro no Mineirão foi um acúmulo de capítulos ruins. Os erros de Allan e Alonso nos pontos de origem dos gols de Arrascaeta saltam aos olhos, mas o Atlético foi se distanciando da classificação de forma acelerada.

Se não fosse ao menos duas intervenções do goleiro Everson, o desastre seria maior. Se contra o Fluminense, nos 5 a 3, o ataque ao menos conseguiu equilibrar o placar de uma atuação fraca, Hulk e companhia sequer acertaram o alvo do goleiro Santos.

Jair chegou a assustar em cabeçada, no primeiro tempo. Hulk, bem marcado, e sem a proximidade de companheiros de ataque, isolou um passe no segundo tempo, ao pegar de primeira, de canhota. A atmosfera do Maracanã pesou nos ombros.

Turco Mohamed só foi modificar a equipe quando o prejuízo estava instaurado com os 2 a 0. Optou por iniciar o jogo com Ademir na vaga de Vargas, Jair no lugar de Otávio. No começo, Zaracho foi o ponta esquerda, com Ademir no seu lugar contumaz. Logo, veio o 4-4-2, com Nacho deslocado na meia esquerda, Zaracho na direita. Não funcionou.

Nacho Fernández, do Atlético-MG — Foto: Pedro Souza / Atlético-MG

Nacho Fernández, do Atlético-MG — Foto: Pedro Souza / Atlético-MG

A resistência do Atlético durou 45 minutos. Allan errou, perdeu no corpo do atacante Pedro. E veio a jogada do gol de Arrascaeta. Bola enfiada entre Arana e Nathan Silva. O ex-jogador do Cruzeiro é uma pedra no sapato. De carrinho, abriu o placar nos acréscimos.

O Atlético voltou com a mesma formação. Mas respirou no jogo. Passou a ter mais posse de bola. Tentou ferir o Flamengo. Nada produzido. A bola ficava no chão, a saída de pé em pé voltou a ser falha. Junior Alonso se complicou, ficou sem ninguém para tocar. O Flamengo mordeu, Pedro roubou, e recebeu a falta do paraguaio.

Na cobrança de falta de Everton Ribeiro, Arrascaeta estava livre na cabeça de área. Ocupou o espaço vazio na ponta esquerda. Cabeçada fatal, confirmada pelo VAR. O caldo entornou de vez quando Junior Alonso acabou recebendo o segundo amarelo, e expulsão, ao matar um contra-ataque.

Os 4,5 mil atleticanos ainda tiveram que aguardar cerca de 1 hora além do apito final para deixar o Maracanã. Nada que se compare à noite de Hulk, que ficou até às 3h no antidoping, com dificuldades de completar a coleta da urina para exame.

Turco Mohamed pouco explicou os motivos da atuação ruim do Galo. Deve melhores discursos, principalmente, no que se refere ao campo de soluções. O Atlético brigará pelo Brasileiro e tem o Palmeiras na Libertadores. Reforços estão na Cidade do Galo, o calendário fica menos apertado, e qualquer eliminação é uma oportunidade de unir forças, corrigir rotas e buscar títulos. Foi assim em 2021.