Falta de medicamentos nas farmácias preocupa especialistas e a população em geral

Entenda o que vem causando a falta de insumos

O Programa Espaço Aberto da Rádio 89, entrevistou na terça-feira, 24, o farmacêutico Silvio da Silva, que falou sobre o motivo da falta de alguns medicamentos em farmácias. O farmacêutico e especialista no segmento, alertou à população que a falta de insumos e a alta demanda vem prejudicando todo o mundo.

A falta de medicamentos vem ocorrendo desde o mês de janeiro deste ano (2022) e a situação já é considerada crônica e, segundo o farmacêutico Silvio, são mais de 500 medicamentos em falta no mercado por conta da ausência de insumos necessários. Atualmente o Brasil produz 5% da matéria prima farmacêutica.

Os insumos são essenciais para a produção dos medicamentos no Brasil, a maioria vem da China e da Índia, sendo que a Índia sofre com um agravante pois, por causa da Covid-19, os portos não estão em pleno funcionamento, barrando as mercadorias. Vale lembrar que todo insumo farmacêutico que chega no Brasil fica em quarentena, por ordem da Anvisa. O farmacêutico Silvio da Silva explica. “Se você pediu a quarenta dias atrás um insumo para produzir um medicamento, ele vai ter que ficar mais quarenta dias em quarentena para depois a Anvisa liberar esse insumo, então já são 80 dias. E assim vai virando o efeito cascata. Está bem preocupante mesmo “, afirma o especialista.

Com hospitais superlotados e pressão na saúde, Santa Catarina tem 26 pacientes na fila de espera por leitos de UTI. Dos 1.050 leitos que o Estado possui, 1.028 estavam ocupados no domingo (5), representando 97,90% do total.

O farmacêutico ressaltou a importância da colaboração dos médicos neste momento, caso tenha alguma prescrição de medicamentos, ele pede. “Coloquem uma segunda opção para o tratamento do paciente, isso é um problema crônico no Brasil, mais de 500 medicamentos em falta. Sendo que o mais preocupante são os medicamentos para doenças respiratórias, principalmente infantil”, concluiu Silvio.

Em alerta, Silvio afirma que medicamentos como Antibióticos, Dipirona, Paracetamol, estão todos em falta. “E se der um inverno rigoroso e continuar do jeito que está, nós vamos entrar em colapso”, afirma o farmacêutico.

Medicamentos controlados:

São cerca de mais de 500 medicamentos em falta, inclusive medicamentos controlados, pois os insumos, também, vêm de fora. É preocupante, porém, menos do que os medicamentos para doenças respiratórias, segundo o especialista Silvio da Silva. “Hoje não tem insumo para fazer xarope, comprimidos antigripais simples, antibiótico, corticoide, então isso está mais preocupante do que os medicamentos controlados, tem alguns em falta, mas estão conseguindo suprir. Os medicamentos para gripe, resfriado, antibióticos, a demanda não está sendo atingida”, afirma Silvio.

Previsão para os insumos:

Segundo informações, a tendência é piorar. “Os nossos representantes comerciais dizem; Silvio, reforça tal medicamento porque vai faltar. No começo eu não acreditava, é papo de vendedor, e hoje nós estamos vendo que realmente a situação está insustentável”, alega Silvio.

Motivo para ficar em pânico?

O mundo está em alerta laranja, com a chegada do inverno há possibilidades de alerta vermelho, e isso vem preocupando a população e especialistas da área. “Realmente é preocupante, não digo para fazer um estoque de medicamento em casa, mas o básico, um remédio para a febre, dor muscular, dor de cabeça, eles têm uma validade longa, você pode comprar e deixar na sua casa, porque uma hora você vai precisar. Reforce, compre, você que tem criança em casa, porque realmente já está faltando e a tendência é piorar”, afirma Silvio da Silva.

Precauções:

O farmacêutico e especialista, Silvio da Silva, deu dicas para a população evitar doenças respiratórias, resfriados e gripe. “Hidrate-se bem, tome bastante água, faça uma suplementação com vitamina C, aumente a imunidade. No inverno está frio? Procure usar roupas quentes, não pegar friagem, evite ficar gripado e pegar resfriado, tome os cuidados essenciais. Você evitando pegar uma gripe, um resfriado, você evita entrar nas estáticas de uma doença respiratória, que fica onerando os hospitais e postos de saúde”, finaliza o farmacêutico.