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Comida de pacote na infância pode estar ligada a ansiedade e hiperatividade, aponta estudo

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Pesquisa acompanhou mais de 2 mil crianças no Canadá e encontrou associação entre alimentação aos 3 anos e comportamento aos 5

Um estudo publicado na revista científica JAMA Pediatrics encontrou uma associação entre o consumo elevado de alimentos ultraprocessados na primeira infância e a presença de alguns sintomas emocionais e comportamentais em crianças. A pesquisa acompanhou 2.077 crianças no Canadá entre os 3 e os 5 anos de idade.

De acordo com os resultados, crianças que apresentavam maior consumo de ultraprocessados aos 3 anos tiveram, aos 5 anos, maior frequência de sintomas chamados internalizantes, como ansiedade e retraimento, além de manifestações externalizantes, entre elas agressividade e hiperatividade.

Os pesquisadores também observaram uma relação considerada mais favorável quando parte dos alimentos ultraprocessados era substituída por opções minimamente processadas. O resultado reforça a importância da qualidade da alimentação durante os primeiros anos de vida, período considerado importante para o desenvolvimento cerebral e para a formação dos hábitos alimentares.

A pesquisa, no entanto, não estabelece que o consumo de determinado alimento seja responsável diretamente por alterações no comportamento. Especialistas destacam que o desenvolvimento emocional infantil é influenciado por diversos fatores, incluindo sono, ambiente familiar, genética, estímulos e alimentação.

A nutricionista materno-infantil Caroline von Borowski afirma que os resultados ampliam a discussão sobre os possíveis impactos de uma alimentação baseada em ultraprocessados. Segundo ela, durante muito tempo esses produtos foram associados principalmente ao ganho de peso e a problemas metabólicos, mas novas pesquisas também passaram a investigar possíveis relações com o desenvolvimento emocional e comportamental.

A especialista ressalta que a primeira infância é uma fase importante para a formação dos hábitos alimentares e defende que as crianças sejam envolvidas nas escolhas e no preparo dos alimentos. A participação pode ajudar a despertar o interesse por novos sabores e tornar a alimentação saudável uma experiência mais positiva.

A discussão ganha espaço também com a proximidade do retorno às aulas, quando famílias voltam a organizar a alimentação das crianças durante o período escolar. Frutas, alimentos minimamente processados e preparações feitas em casa aparecem entre as alternativas para compor uma alimentação mais variada.

Além da orientação alimentar, atividades de educação nutricional têm buscado aproximar as crianças do preparo das próprias refeições. Uma dessas iniciativas é a “Missão Lancheira”, realizada em Florianópolis, que propõe atividades práticas com os participantes, incluindo contação de histórias, experimentação de alimentos e montagem da própria lancheira.

A proposta é estimular desde cedo uma relação mais consciente com a alimentação, contribuindo para que hábitos considerados saudáveis possam ser incorporados à rotina das crianças ao longo do desenvolvimento.

Por Redação RSC


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