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Tecnologia acessível: estudantes desenvolvem telas táteis em 3D para facilitar uso de smartphones por pessoas cegas em São José
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Imagem Divulgação - Tecnologia acessível: estudantes desenvolvem telas táteis em 3D para facilitar uso de smartphones por pessoas cegas em São José
Projeto criado por alunos do ensino médio em parceria com a Associação Catarinense para Integração do Cego utiliza impressão 3D para ampliar autonomia digital
Uma iniciativa educacional voltada à inclusão digital está transformando a forma como pessoas cegas aprendem a utilizar smartphones na Grande Florianópolis. Estudantes do ensino médio de uma escola de São José desenvolveram telas táteis em impressão 3D que simulam a navegação de aplicativos, permitindo que usuários compreendam a disposição dos ícones por meio do toque e ampliem a autonomia no uso dos aparelhos.
O projeto surgiu a partir de aulas de robótica e modelagem tridimensional e foi desenvolvido em parceria com a Associação Catarinense para Integração do Cego, instituição referência no atendimento a pessoas com deficiência visual em Florianópolis. A proposta nasceu de uma demanda prática observada durante cursos de capacitação tecnológica oferecidos pela entidade, onde materiais artesanais eram utilizados para explicar o funcionamento das telas de celular.
Segundo o professor e técnico da equipe, Gabriel Gesser, os estudantes identificaram a oportunidade de aplicar o conhecimento em modelagem digital para criar um recurso mais preciso e durável. A partir disso, foram desenvolvidos protótipos que reproduzem a estrutura das telas por meio de formas geométricas simples em relevo, facilitando a identificação tátil de funções e aplicativos.
Os modelos incluem representações da tela inicial e de aplicativos amplamente utilizados, como WhatsApp, Uber e telefone. Em vez de reproduzir ícones visuais complexos, os estudantes optaram por círculos, quadrados e triângulos, estratégia sugerida pela professora Tábata Duarte, que também é deficiente visual e atua na formação de usuários de tecnologia assistiva.
De acordo com a equipe, as telas não possuem componentes eletrônicos e funcionam como material didático para compreensão espacial da interface. O objetivo é permitir que o usuário memorize a posição dos elementos na tela e associe essas referências ao uso real do smartphone, contribuindo para maior segurança durante a navegação.
Ao todo, sete modelos foram produzidos com impressora 3D, simulando diferentes etapas de uso dos aplicativos. A metodologia também permite demonstrar a transição entre telas, um dos pontos considerados mais desafiadores no aprendizado de usuários iniciantes.
A parceria com a instituição foi fundamental para o desenvolvimento do projeto, especialmente pela participação direta dos alunos cegos nos testes dos protótipos. O retorno dos usuários ajudou a ajustar o formato das peças e reforçou a importância da construção coletiva em iniciativas de acessibilidade.
A experiência evidencia como o ambiente escolar pode atuar como espaço de inovação social, conectando tecnologia e necessidades reais da comunidade. Em um cenário em que o acesso digital se torna cada vez mais essencial, soluções simples e de baixo custo como essa ampliam oportunidades e reforçam o papel da educação na promoção da inclusão.
Por Redação RSC, com informações G1

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