Recorde mundial de ondas gigantes pode ser do imbitubense Vinicius dos Santos

Publicado originalmente por surftotal.com

Foi sem a ajuda de jet skis e somente com a prancha debaixo do braço que Vinicius dos Santos comprou a viagem com destino a Portugal e se despediu de Florianópolis, no Brasil, comprometido a escrever o seu nome no Canhão da Nazaré que o catapultaria a novos voos. Entrava a remar acompanhado pela coragem, determinação e experiência que ganhara em Jaws e Mavericks. A humildade que lhe é característica gritou entre a comunidade de surf nazarena e estes predispuseram-se a ouvi-lo e integra-lo.

Certo dia, em conversa informal, Vini partilhou que o surf profissional de ondas gigantes é um tabu na sociedade e especialmente no seu seio familiar. “É bem complicado encontrar uma forma de sobreviver com esta profissão”, mas com força de vontade, fecha-se os olhos à opinião externa e mantêm-se os pés assentes nos objetivos.

Vinicius dos Santos engole o medo e não se debruça sobre ele, limita-se a processar o que fez quando regressa a terra segura, tal como aconteceu no último swell em finais de fevereiro. A descontração e calmaria que se ouvem saídas da sua voz não transparecem que vai descer uma onda que perfazem várias vezes o seu tamanho. Não se vê agito, nem pânico, só agradecimento por estar a viver a vida que sempre quis.

 

Há um ano, o big wave rider da Praia da Vila apresentava-se no subtítulo como um surfista de remada, hoje a mesma pergunta pode dar aso a uma resposta diferente, sobretudo depois de ter sido puxado pela primeira vez pelo Alemão de Maresias a 12 de março de 2021. “Quando eu tiver condições gostaria de evoluir no tow-in”, disse após a sessão. Num ano podem acontecer muitas coisas, até mesmo quebrar-se um recorde mundial mediante algo que não era tido como garantido.

 

A onda que poderá dar origem ao recorde mundial

 

No swell que se dizia ser histórico, a 25 de fevereiro de 2022, Vini marcava presença ainda que dois meses antes tenha rasgado a orelha e menos de 1 mês depois tenha sido sujeito a 27 pontos na cabeça, após ser atingido pela prancha.

“As condições estavam maiores do que no swell de janeiro. A direção estava mais para norte o que causou o efeito das pirâmides nazarenas mas essa direção muito norteada acaba esbranquiçando a água, deixando-a cheia de espuma branca no meio da onda. A ondulação fica muito grande mas esse pormenor atrapalha o surf e a formação das ondas, porém, para mim foi um resultado incrível”, começou por dizer.

 

 

Vinicius dos Santos na Nazaré a 25 de fevereiro de 2022 | Créditos de imagem: @azhiaziam

 

"Eu mesmo fico emocionado só de ver. Cairam-me as lágrimas"

 

“Logo de manhã cedo ninguém queria surfar e eu candidatei-me a seguir ao Lucas Fink. O Lucas Chumbo acabou por me puxar nalgumas ondas e foi quando eu peguei essa direita enorme. Foi a maior onda da minha vida até hoje no tow-in e um momento que eu sempre sonhei: pegar uma direita na direção do farol com o crowd a assistir”, contou. “Logo no início eu fui voando nos bumps [degraus causados pela massa de água] mas consegui ter sucesso e não ser atingido pela onda. Foi muito bom para mim, pelo risco e pelo sucesso. Eu mesmo fico emocionado só de ver. Cairam-me as lágrimas, é um momento muito especial para mim. Acho que para os surfistas e artistas é uma honra ser assistido para que as pessoas possam ver o nosso trabalho. Nisso tive muito êxito, foi uma onda muito grande."

 

Créditos de imagem: João Pedro Cordeiro

 

Vinicius dos Santos recorreu ao oceanógrafo Douglas Nemes para calcular o tamanho da onda, tendo este estimado uma altura de 29.68 metros. O recorde mundial atual da maior onda surfada é da autoria do brasileiro Rodrigo Koxa, que em 2017 ultrapassou Garrett MacNamara com uma onda avaliada em 24.38 metros de altura. Irá Vini entrar para o livro do Guiness roubando o record ao conterrâneo?

Caso se confirme, Vinicius não irá encostar-se à sombra da bananeira até porque risca um objetivo da lista mas não se estagna. “Eu creio que todo o dia é possivel quebrar o record aqui na Nazaré”.

Por Catarina Brazão

 

Vinicius dos Santos a 25 de fevereiro de 2022 na Nazaré Ian Tavares