Thiago Rodrigues diz que Vasco colhe frutos de trabalho que ainda tem que evoluir: “Ninguém sobe na 13ª rodada”

Thiago Rodrigues em coletiva no CT do Vasco — Foto: Tébaro Schmidt/ge
ge — Rio de Janeiro

Goleiro alerta para os desafios que o time terá na competição: "Temos algumas guerras pela frente"; ele ainda fala sobre identificação com a torcida e diz que nasceu para jogar no clube

"Na vice-liderança da Série B após 13 rodadas e ainda sem perder na competição, o Vasco está no caminho certo para alcançar o acesso à Série A ao fim da temporada. Mas não dá para relaxar, como alerta Thiago Rodrigues. O goleiro comemora os frutos do trabalho realizado nos primeiros seis meses, mas reconhece que o time ainda pode melhorar com os desafios que terá pela frente.

- Tudo uma sequência, trabalho muito bom, o que o Zé Ricardo fez com a gente, consolidando cada setor do campo. Tudo é uma sequência. Futebol, por mais imediatista, tem processos que não tem como pular. Agora estamos colhendo bons frutos e temos esperança de seguir um bom caminho na Série B. E ainda tem margem para evolução mais significativa em todos os setores, Série B é uma árdua, forte, ninguém sobe na 13ª rodada. Temos algumas guerras pela frente.

Um dos líderes do elenco, o goleiro falou sobre a primeira semana de trabalho de Maurício Souza e como o técnico tem tentando impor sua filosofia aos poucos. A saída de bola é um dos pontos trabalhados pelo treinador.

- Jogo é fracionado, tem muitos aspectos dentro da partida. Hora propor o jogo, hora sofrer um pouco mais. Vamos ter momentos propondo e vamos ter momentos em que tem que saber sofrer. A saída de três fica muito mais segura para a gente, quando sai com três, com dois zagueiros abertos e os laterais apoiados... Era um sistema que já tinha com o Zé, agora estamos tendo mais liberdade, usado mais dentro da competição - disse Thiago, que completou:

- Mas tudo no futebol tem risco. Temos tentado diminuir a margem de erro para dar mais segurança, e isso tem dado frutos, prova disso é o gol (contra o Londrina). Pela qualidade do Vasco, acho que o caminho é esse, potencializar os jogadores na maior técnica. Quando tem jogadores como Nenê, Andrey, para dar esse suporte, é importante isso. Para a gente tem sido muito bom.

Vasco volta a campo na próxima sexta-feira, às 19h, em São Januário, para enfrentar o Operário-PR em jogo da 14ª rodada da Série B. Todos os 22 mil ingressos disponibilizados para a partida foram vendidos.

Outras declarações de Thiago:

"Nasci para jogar no Vasco"

- Eu estava refletindo quando chego dos treinos em casa, pós-jogo, a atmosfera do Vasco. A responsabilidade também é gigantesca, quando eu defino uma frase e crio essa narrativa eu digo que jogar no Vasco não é para qualquer um. Sei do tamanho da responsabilidade que tenho de carregar a Cruz de Malta no peito e vestir essa camisa. Vejo quem passou por aqui, momentos bons e ruins que tiveram. Quando você expressa isso, é realmente algo muito forte, muito mais que palavras, que consegue colocar ali todo o trabalho que foi feito, de ter o entendimento daquilo que você representa.

- Não é para qualquer um, é prazeroso demais, sabemos quanto é bom. Quando falo que nasci para jogar no Vasco, chego aqui e tenho uma belíssima recepção dos companheiros, funcionários. Isso ajuda a criar empatia, aí tem a experiência de entrar no Maracanã tomado e o torcedor gritar seu nome. Se tem um grande troféu na carreira, acho que é esse. Uma demonstração de respeito, de afeto, de reverência ao seu trabalho. Realmente eu fico muito feliz de estar aqui, estou muito realizado, creio que conquistarei muitas coisas aqui. Essa frase define bem o que estou vivendo aqui.

Carinho da torcida

- Fico muito feliz com esse carinho. Esse início para nós é importante, essa empatia do torcedor. Sabemos que essa questão do carinho facilita nosso trabalho em campo, só tenho que agradecer a eles. Tenho ainda mais força para dar meu melhor dentro de capo.

Maurício Souza

- Cada um tem seu modo de trabalho, acho que Maurício procurou manter o que vinha sendo feito de bom pelo Zé. O Zé conseguiu colocar num grupo muito forte algumas características pontuais, e o Mauricio está dando seguimento a isso. Claro que uma equipe no meio da competição tem que evoluir. Maurício tem procurado fazer isso, dar esse conteúdo. Estamos muito felizes com ele, temos percebido ele de uma maneira muito legal, estamos abraçando ele. Creio que a tendência é evoluir e colocar o Vasco na Série A.

Pares de luvas

- Goleiro é meio maluco (risos). Tenho alguns rituais que faço em casa, na concentração. Eu gosto de levar muitas luvas pro jogo, e cada uma é diferente. As vezes uma tá mais seca, outra tá mais molhada. Essas questões particulares, bem minuciosas, te dão segurança de usar a luva ou não. As vezes é para presentear um torcedor nosso, mas é mais um ritual. Eu que lavo, eu que boto para secar, cuido pessoalmente para não ter nenhum problema.

- Vejo no tato, na hora, o ponto que ela tem que ficar para mim. Eu lavo antes do jogo, pós jogo também. Quando chega o próximo do jogo, dou uma umedecida para ela ficar no ponto, aí eu sinto: é essa. É maluquice isso, se for tentar explicar você dá risada de mim.

Mais sobre saída de bola

- Tem toda uma leitura ali, de ajustes. A gente desce os laterais, os volantes, depende da forma como o adversário marca. Isso nos dá uma zona de segurança, geralmente quando está mais espetado, tem que ganhar o jogo, temos que propor mais, assumir os riscos. Isso é jogar em time grande, tem que tomar conta disso. Temos alguns timings, alguns códigos de conduta. A própria dinâmica do jogo. Por mais que treine, o jogo é diferente. Dentro disso, estamos tentando adequar a saída mais segura possível.

- Temos alguma jogadas, no repertório. Saída de três e também a jogada específica que a gente sai com o Gabriel Dias. Dentro desse repertório vasto, temos alguns caminhos para ter mais facilidade na saída de bola, conforme o jogo vai dando dinâmica.

Comunicação

- Comunicação é muito importante, sem comunicação a gente não é nada. Porém essas questões de vestiário, pós jogo, é algo muito natural, espontâneo. Eu não treino, eu tenho pais bem expansivos, que se expressam muito bem, são pastores, trabalham com público. Acho que o grande culpado disso é o torcedor, aquela atmosfera que eles criam, é um sentimento de "obrigado". Eles nos pegaram no colo, estão cuidando da gente e fazendo trabalho de motivação com a gente. Torcida do Vasco é coisa de maluco, aquilo que eu passo depois do jogo é uma extensão que vem das arquibancadas, é bem genuíno, natural. E cria esse vínculo com o torcedor.

SAF

- Falando por mim, a questão da SAF é importante para o clube, está nesse processo de finalização. Eu entendo que todo recurso e parceria que for feita para o bem do Vasco é importante. Mas eu tento separar bem, acho que o que valida essa questão de contrato é o campo, então tento mirar minhas forças no campo para poder jogar bem. Cada dia é uma guerra, você tem que provar. Jogando no Vasco você tem que matar um leão por jogo. Tendo um final de ano positivo, vencendo, sendo campeão brasileiro, ficaria muito fácil. Tenho que pensar no campo e o demais será acrescentado.

VAR

- A transparência é positiva, tudo que for mais transparente, de trazer situações mais claras para o futebol em si, acho que é bem-vindo. É um processo no Brasil, não sei se demorou por falta de amparo ou ajuste, temos uma situação muito aquém do que deveria ser. Mas essa questão de divulgar os áudios ao vivo é importante.

- Em se tratando de Brasil, sabemos que tudo é mais demorado, temos visto muitos problemas com o VAR. É torcer para que as coisas andem bem, o Brasil tem bons profissionais. Se eles puderem se especializar e se capacitar ainda mais na profissão, isso é muito bem-vindo. Tomara que a gente possa ter menos problemas e uma vida mais tranquila dentro de campo.