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Por que a Barra de Ibiraquera não pode ser aberta a qualquer hora?

  • Foto Divulgação Reprodução - Por que a Barra de Ibiraquera não pode ser aberta a qualquer hora?

Na Barra de Ibiraquera, marés, nível da água, ventos, cardumes e até a presença de larvas de camarão entram na avaliação antes da abertura

Pouca gente imagina que, ao lado da Praia do Rosa, em Imbituba, existe uma lagoa cuja ligação com o mar envolve muito mais do que simplesmente abrir um canal na faixa de areia. A Barra de Ibiraquera, que conecta a Lagoa de Ibiraquera ao oceano, é acompanhada por um processo de gestão coletiva que considera diferentes condições ambientais antes de uma eventual abertura.

A área está inserida na Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca (APA da Baleia Franca) e a abertura da barra tem relação direta com a renovação das águas da lagoa e com a entrada de peixes e larvas de camarão vindas do oceano. A pesca artesanal também está entre as atividades diretamente relacionadas ao funcionamento desse sistema.

Entre os critérios considerados estão o nível da água da lagoa, as condições de maré e vento e a presença ou possibilidade de chegada de cardumes e larvas de camarão. O nível da água é acompanhado por réguas instaladas na lagoa, enquanto os pescadores também contribuem com o conhecimento sobre as condições do mar.

A lógica é que a abertura não atenda apenas a uma necessidade momentânea, mas também considere o funcionamento ambiental da lagoa. Documentos do ICMBio apontam que pescadores tradicionalmente defendem a abertura em períodos de entrada de larvas de camarão e de cardumes, enquanto outros setores da comunidade podem considerar situações como elevação do nível da água e risco de alagamentos.

A decisão envolve um comitê gestor, formado a partir de uma construção participativa que reúne representantes de órgãos ambientais, Prefeitura de Imbituba, pescadores, moradores, setor de turismo e esporte, entre outros envolvidos com a região. A proposta é equilibrar diferentes interesses relacionados à lagoa e à barra.

A importância da passagem também está ligada ao ciclo do camarão. Segundo estudos citados nas informações sobre a região, as larvas chegam às lagoas costeiras vindas do mar, onde permanecem durante parte do desenvolvimento antes de retornarem ao ambiente marinho.

A Barra de Ibiraquera faz parte de uma paisagem bastante conhecida do Litoral Sul catarinense, mas seu funcionamento envolve uma relação complexa entre natureza, pesca, moradores e atividades econômicas.

Em julho de 2026, por exemplo, a Prefeitura de Imbituba realizou uma abertura emergencial da barra após o aumento do nível da Lagoa de Ibiraquera provocado pelas chuvas. Segundo o município, a medida teve caráter preventivo para reduzir o risco de alagamentos e estava prevista em processo administrativo que estabelece critérios para esse tipo de intervenção.

Assim, o canal que parece apenas uma passagem entre a lagoa e o mar representa, na prática, uma importante engrenagem ambiental e econômica da região. Em Ibiraquera, antes que a água da lagoa encontre novamente o oceano, uma série de fatores precisa ser observada.

Por Redação RSC


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