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Política

Intolerância política: supostas listas de boicote a comércios preocupam no Sul de SC

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Relatos envolvendo estabelecimentos comerciais, inclusive em Tubarão, e publicação compartilhada por secretário de Turismo de Garopaba reacendem debate sobre perseguição política e necessidade de pacificação do país

A eleição terminou, mas, aparentemente, a disputa política continua produzindo consequências preocupantes fora das urnas. Em cidades do Sul de Santa Catarina, incluindo Tubarão, surgiram relatos de que supostas listas estariam circulando em grupos de mensagens e redes sociais, identificando estabelecimentos comerciais como sendo de esquerda ou ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT). O objetivo seria incentivar consumidores a deixar de comprar nesses locais, como forma de retaliação política.

Até o momento, não há confirmação independente sobre a origem, a abrangência ou mesmo a efetiva circulação dessas listas nos municípios mencionados. Entretanto, os relatos acendem um alerta sobre os riscos de transformar divergências eleitorais em campanhas de exposição e boicote a empresários, comerciantes e trabalhadores.

Em Garopaba, outro episódio chama a atenção. O secretário municipal de Turismo republicou, em sua página pessoal nas redes sociais, uma publicação que sugere que empresas apoiadoras do PT coloquem bandeiras do partido em frente aos estabelecimentos, permitindo que sejam identificadas por consumidores interessados em promover um boicote. A republicação chama a atenção especialmente por envolver um integrante da administração pública municipal.

Embora toda pessoa tenha direito às próprias convicções políticas, inclusive ocupantes de cargos públicos, manifestações dessa natureza provocam questionamentos sobre a responsabilidade de autoridades na promoção do respeito e da convivência democrática. Afinal, espera-se de representantes do poder público uma postura que contribua para o desenvolvimento econômico e social, independentemente das preferências partidárias dos cidadãos.

A preocupação não se limita ao Sul catarinense. Situações semelhantes foram noticiadas em outras regiões do país após as eleições presidenciais, com estabelecimentos comerciais sendo incluídos em relações de supostos apoiadores de determinados partidos. Em alguns casos, empresários precisaram se manifestar publicamente para esclarecer informações e defender a reputação de seus negócios.

É importante lembrar que por trás de cada empresa existem histórias, investimentos, famílias e trabalhadores que dependem daquela atividade econômica. Um estabelecimento comercial não pode ser reduzido à preferência política atribuída ao seu proprietário. Tampouco funcionários devem sofrer consequências por escolhas eleitorais que sequer necessariamente compartilham.

*O direito de discordar é um dos pilares da democracia. Mas existe uma diferença entre escolher livremente onde consumir e organizar campanhas de exposição e retaliação contra pessoas por suas convicções políticas, reais ou presumidas.* A liberdade de expressão deve caminhar ao lado da responsabilidade, do respeito e do compromisso com a convivência em sociedade.

O Brasil atravessou mais uma eleição marcada por fortes divergências. Durante a campanha, candidatos e eleitores defenderam projetos diferentes para o país, algo legítimo e necessário em qualquer democracia. Entretanto, encerrada a votação, é fundamental compreender que adversários políticos não precisam se transformar em inimigos pessoais.

A polarização permanente cobra um preço elevado. Ela desgasta amizades, provoca conflitos familiares, afeta relações profissionais e pode prejudicar a economia das próprias comunidades. Quando a disputa política ultrapassa os limites do debate e passa a estimular a hostilidade contra quem pensa diferente, toda a sociedade perde.

*O momento exige responsabilidade, especialmente de lideranças políticas e autoridades públicas.* Mais do que alimentar ressentimentos, é necessário construir pontes, reduzir tensões e reconhecer que o país pertence a todos os brasileiros, independentemente de suas escolhas nas urnas.

As eleições passaram. O resultado democrático precisa ser respeitado, assim como o direito de cada cidadão defender suas ideias. O que não pode continuar é a tentativa de transformar diferenças políticas em justificativa para ataques pessoais ou prejuízos econômicos.

*O Brasil precisa voltar a compreender que pensar diferente não significa ser inimigo. A eleição acabou. É hora de pacificar o país, respeitar as diferenças e seguir em frente.*

Por Redação RSC


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