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MPSC lança Mapa do Feminicídio e destaca importância de dados para combater violência contra a mulher em SC
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Foto: Reprodução/ MPSC - MPSC lança Mapa do Feminicídio e destaca importância de dados para combater violência contra a mulher em SC
Ferramenta inédita reúne dados oficiais, aponta padrões dos crimes e será usada como base para políticas públicas
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) lançou nesta segunda-feira (30) o “Mapa do Feminicídio”, uma ferramenta inédita que reúne, cruza e analisa dados oficiais sobre a violência letal contra mulheres no estado. A iniciativa busca identificar padrões, fatores de risco e impactos sociais, contribuindo para o fortalecimento de políticas públicas e ações de prevenção.
O lançamento foi realizado no auditório do MPSC, com a presença de autoridades estaduais, entre elas a vice-governadora Marilisa Boehm e representantes de diversas instituições, como Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas e OAB/SC.
Entre os principais indicadores apresentados, o levantamento aponta que 71% dos casos de feminicídio em Santa Catarina são classificados como feminicídios íntimos, ou seja, cometidos por companheiros ou ex-companheiros das vítimas.
Outro dado relevante mostra que 68,9% das mulheres assassinadas já tinham histórico prévio de violência. Em muitos casos, porém, essas agressões não chegaram a ser formalizadas nos sistemas de saúde, assistência social ou segurança pública.
Para a procuradora-geral de Justiça, Vanessa Wendhausen Cavallazzi, os dados evidenciam a necessidade de enfrentar o problema com responsabilidade e com base em evidências. “Trabalhar com esses números exige reconhecer desafios, limites e lacunas nas políticas públicas atuais”, destacou.
Ainda na segunda-feira, o Mapa do Feminicídio foi tema do programa “Coletiva ACAERT”, que reuniu 134 emissoras de rádio de todo o estado. A entrevista foi conduzida pelo jornalista Kadu Reis e contou com a participação de promotores de Justiça envolvidos na construção da ferramenta.

A iniciativa teve como objetivo ampliar o alcance das informações, especialmente para municípios do interior, contribuindo para que gestores públicos, profissionais da rede de proteção e a população tenham acesso a dados qualificados.
Segundo a procuradora-geral, o mapa precisa ser mais do que um repositório de informações. “Ele só faz sentido se for utilizado como instrumento de trabalho por prefeitos, secretários, promotores e por toda a rede de proteção. É uma ferramenta viva, que pode ajudar a salvar vidas”, afirmou.
De acordo com o MPSC, um dos achados do estudo é a maior incidência de feminicídios em cidades com menos de 15 mil habitantes. O dado reforça a necessidade de interiorizar políticas públicas e ampliar o acesso à informação.

A coordenadora do Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT), promotora de Justiça Chimelly Marcon, destacou a importância de dar visibilidade ao tema. “Levar essa discussão ao interior permite que mais mulheres tenham acesso à informação e consigam identificar caminhos para sair de situações de violência”, afirmou.
Já o coordenador do Escritório de Ciências de Dados do MPSC, promotor Simão Baran Junior, ressaltou que o mapeamento detalhado permite compreender melhor onde e como os crimes acontecem, facilitando a criação de estratégias de prevenção.
A participação no programa da ACAERT marcou a primeira vez que o MPSC integrou a iniciativa, considerada um dos principais espaços de diálogo com a imprensa catarinense.
Para o presidente da entidade, Mário Neves, o mapa representa um avanço no debate público. “Essa iniciativa qualifica a discussão ao trazer dados consistentes e ajuda a sociedade a entender que o feminicídio, na maioria das vezes, é o resultado de uma sequência de violências que poderiam ser interrompidas”, avaliou.
O Mapa do Feminicídio está disponível ao público e pode ser acessado online. A expectativa do MPSC é que a ferramenta contribua para decisões mais assertivas por parte do poder público e para o fortalecimento da rede de proteção às mulheres em Santa Catarina.
Link - MAPA DO FEMINICÍDIO - Acesse AQUI
Por Redação RSC

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