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Segurança

Mais uma mulher é morta. Até quando o feminicídio será apenas mais uma notícia?

  • Foto Gerada Por IA - Mais uma mulher é morta. Até quando o feminicídio será apenas mais uma notícia?

Morte de mulher em Imbituba evidencia uma realidade que continua fazendo vítimas dentro de casa e desafia autoridades e a sociedade

A morte de uma mulher de 47 anos, vítima de feminicídio em Imbituba, voltou a expor uma realidade que continua fazendo vítimas em todo o estado. O crime aconteceu dentro de um relacionamento e terminou da forma mais extrema possível, mas especialistas e órgãos de proteção à mulher alertam que o feminicídio raramente acontece de forma repentina. Na maioria dos casos, ele é precedido por um longo histórico de violência.

Na tarde de segunda-feira (3), a vítima foi atacada pelo próprio companheiro com golpes de arma branca em uma residência no Centro de Imbituba. Ela chegou a ser socorrida pelo Corpo de Bombeiros Militar, mas não resistiu aos ferimentos. O homem foi preso em flagrante e o caso é investigado como feminicídio. O casal tinha uma criança, que agora passa a ser acompanhada pelo Conselho Tutelar.

O episódio interrompe mais uma vida e deixa uma pergunta que se repete a cada novo caso: por que tantas mulheres ainda morrem justamente no lugar onde deveriam estar mais protegidas?

Os números mostram que a tragédia registrada em Imbituba não é um caso isolado. Dados do Ministério Público de Santa Catarina apontam que, entre 2020 e 2024, o estado registrou 596 mortes violentas de mulheres. Dessas, 335 foram classificadas como feminicídio, ou seja, assassinatos motivados pela condição de gênero da vítima.

O levantamento também revela um padrão que se repete. Em mais de 70% dos casos, o autor era o companheiro, ex-companheiro ou alguém com quem a vítima mantinha uma relação afetiva. Antes do assassinato, muitas dessas mulheres já haviam sofrido ameaças, agressões físicas, violência psicológica, controle financeiro, perseguições e isolamento. Em diversos casos, existiam boletins de ocorrência e até medidas protetivas concedidas pela Justiça.

Apesar das campanhas de conscientização e do fortalecimento da legislação, o medo ainda faz parte da rotina de muitas brasileiras. Caminhar sozinha, terminar um relacionamento ou simplesmente dizer "não" continua sendo motivo de insegurança para milhares de mulheres.

A violência também não escolhe tamanho de cidade. O feminicídio registrado em Imbituba mostra que municípios menores, muitas vezes vistos como lugares mais tranquilos, também convivem com uma realidade marcada pela violência doméstica. O problema não está apenas nos grandes centros urbanos, mas presente em diferentes regiões do país.

Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, o maior número desde que o crime passou a ser tipificado na legislação brasileira. Na prática, significa que mais de quatro mulheres foram assassinadas por dia apenas por serem mulheres.

Cada um desses crimes deixa consequências que vão muito além da vítima. Filhos ficam sem mães, famílias são desestruturadas e comunidades inteiras convivem com o impacto da violência. Em Santa Catarina, mais de 65% das mulheres assassinadas eram mães, e quase metade tinha filhos com o próprio agressor.

Especialistas reforçam que o enfrentamento ao feminicídio começa antes do crime. Reconhecer sinais como ciúmes excessivos, controle da rotina, ameaças, humilhações, isolamento e agressões é fundamental para interromper o ciclo da violência. Da mesma forma, familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho podem desempenhar um papel decisivo ao incentivar denúncias e acolher mulheres em situação de risco.

Enquanto novos casos continuam sendo registrados, permanece o desafio de transformar leis, políticas públicas e campanhas em proteção efetiva. O feminicídio não representa apenas a morte de uma mulher. Ele evidencia que, para muitas brasileiras, viver sem medo ainda é um direito que está longe de ser plenamente garantido.

Por Redação RSC


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