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Internet precária e dificuldade de identificação de notícias favorecem desinformação nas periferias, aponta pesquisa

  • Foto: Bruno Peres/ Agência Brasil - Internet precária e dificuldade de identificação de notícias favorecem desinformação nas periferias, aponta pesquisa

Levantamento realizado em três cidades brasileiras mostra que acesso limitado à internet e excesso de informações dificultam o consumo de conteúdo confiável

A baixa qualidade da conexão com a internet e a dificuldade de acesso à informação ainda são obstáculos importantes para a população se manter bem informada, especialmente em regiões periféricas e territórios tradicionais. É o que aponta a pesquisa Dos territórios indígenas às periferias: retratos da desinformação e do consumo de notícias no Brasil, divulgada nesta quarta-feira (13) pela Coalizão de Mídias Periféricas, Faveladas, Quilombolas e Indígenas.

O estudo ouviu cerca de 1,5 mil pessoas nas cidades de Santarém, Recife e São Paulo e revelou que um em cada quatro entrevistados enfrenta dificuldades relacionadas à conexão de internet. Além disso, 17% afirmaram ter dificuldade para identificar notícias falsas, enquanto 16% relataram falta de tempo para verificar a confiabilidade das informações consumidas.

Segundo a pesquisa, a rotina intensa e o acúmulo de funções, realidade comum principalmente entre mulheres, contribuem para a menor disponibilidade de tempo para analisar os conteúdos recebidos diariamente.

O levantamento também destaca que a distância entre os meios de comunicação e as realidades locais contribui para ampliar a desinformação. Para os organizadores do estudo, o jornalismo precisa fortalecer a escuta das comunidades e construir formas mais próximas de comunicação.

A coordenadora da pesquisa, Thais Siqueira, ressaltou o papel do jornalismo local como ferramenta importante no combate à desinformação, principalmente por compreender a realidade dos territórios e manter relação de confiança com os moradores.

Entre os entrevistados, a principal motivação para buscar notícias é acompanhar acontecimentos do próprio bairro, seguida pela necessidade de tomar decisões, compartilhar informações e participar de conversas do cotidiano.

Os aplicativos de mensagens e as redes sociais aparecem como os meios mais utilizados para acessar notícias, com destaque para o WhatsApp e o Instagram. No entanto, o estudo aponta diferenças regionais importantes. Enquanto em Recife e São Paulo há maior diversidade no consumo de plataformas digitais e sites jornalísticos, em Santarém predominam o WhatsApp, a televisão aberta e o rádio, reforçando a importância dos meios tradicionais em locais onde o acesso digital ainda é limitado.

O celular foi identificado como o principal dispositivo utilizado para consumo de informação, seguido por televisão, computador e rádio. A pesquisa também revelou que veículos tradicionais de comunicação, sites de notícias, professores, lideranças comunitárias e pessoas conhecidas são considerados as fontes mais confiáveis pela população. Já os influenciadores digitais aparecem entre os menos confiáveis, atrás até mesmo de grupos de WhatsApp.

Apesar da confiança nos meios tradicionais, a pesquisa aponta que o combate à desinformação vai além da simples checagem de fatos. Conteúdos produzidos localmente, respeitando os saberes e as formas de comunicação de cada comunidade, apresentam maior aceitação entre o público.

Entre as 16 recomendações apresentadas pelo estudo estão o incentivo ao jornalismo comunitário, o financiamento de sistemas próprios de comunicação e a produção de conteúdos em formatos mais acessíveis, como áudios, vídeos curtos e materiais fáceis de compartilhar em aplicativos de mensagens.

A pesquisa foi realizada com apoio do Observatório Ibira30 e da Fundação Tide Setubal. A Coalizão de Mídias reúne iniciativas de diferentes estados brasileiros, incluindo coletivos de comunicação comunitária de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia e Pará.


Por Redação RSC,com informações da Agência Brasil

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