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Política

Argentina entra em greve geral contra reforma trabalhista e paralisa serviços, esportes e voos internacionais

  • Foto: Reprodução Internet - Argentina entra em greve geral contra reforma trabalhista e paralisa serviços, esportes e voos internacionais

Paralisação coincide com início da análise do projeto na Câmara dos Deputados e gera tensão nas ruas

A Argentina amanheceu paralisada nesta quinta-feira (19) com o início de uma greve geral convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT). A mobilização coincide com o começo da análise, na Câmara dos Deputados, do projeto de reforma trabalhista encaminhado ao Congresso pelo governo de Javier Milei.

O texto já recebeu aval do Senado na semana passada e agora passa pelo crivo dos deputados. Segundo agências internacionais, a paralisação foi estrategicamente marcada para ocorrer no mesmo dia em que a proposta começou a ser debatida na Câmara.

A expectativa do governo é que o projeto seja levado ao plenário no próximo dia 25 de fevereiro e aprovado até 1º de março, data prevista para a abertura das sessões ordinárias do Legislativo, conduzida por Milei.

Protestos e esquema de segurança

Além da greve, novos atos estão previstos para os próximos dias, embora nem todos tenham sido oficialmente convocados pela CGT. Diante do cenário de tensão, o Ministério da Segurança orientou profissionais da imprensa a adotarem medidas preventivas durante a cobertura das manifestações.

Em comunicado, a pasta recomendou que jornalistas evitem se posicionar entre possíveis focos de confronto e as forças de segurança. O governo também anunciou a criação de uma área exclusiva para a imprensa em ruas adjacentes à praça em frente ao Parlamento e alertou que as forças federais poderão agir em caso de episódios de violência.

Na semana passada, durante a tramitação do projeto no Senado, milhares de manifestantes ocuparam os arredores do Congresso. O protesto terminou em confronto com a polícia e cerca de 30 pessoas foram detidas.

Futebol afetado pela paralisação

A greve também impactou o calendário esportivo. Quatro partidas da sexta rodada do Campeonato Argentino precisaram ser remarcadas após adesão do Sindicato dos Trabalhadores do Esporte e Entidades Civis (Utedyc), responsável por serviços essenciais nos estádios, como operação, controle de acesso e logística.
Foram reagendados os confrontos entre Defensa y Justicia x Belgrano, San Lorenzo x Estudiantes, Instituto x Atlético Tucumán e Independiente Rivadavia x Independiente. As partidas foram redistribuídas ao longo do fim de semana, com ajustes promovidos pela Associação do Futebol Argentino (AFA) e pela Liga Profissional.
Por outro lado, o duelo entre Lanús e Flamengo, válido pela Recopa Sul-Americana e organizado pela Conmebol, está mantido. Como se trata de competição internacional, a realização da partida não depende da estrutura da liga local.

Voos cancelados no Brasil

Os reflexos da greve ultrapassaram as fronteiras argentinas. No Brasil, ao menos 20 voos entre chegadas e partidas no Aeroporto Internacional de Florianópolis foram cancelados até as 8h desta quinta-feira, segundo informações do painel do terminal.
A LATAM Airlines informou que precisou ajustar sua operação após a confirmação da adesão de sindicatos ligados à Intercargo, empresa responsável pelos serviços de rampa nos aeroportos argentinos. Passageiros afetados podem remarcar os voos sem custo ou solicitar reembolso integral.
A Gol Linhas Aéreas também comunicou que está notificando os clientes por e-mail e oferecendo a possibilidade de remarcação gratuita ou reembolso em forma de crédito.
As companhias orientam os passageiros a verificarem a situação dos voos antes de se dirigirem ao aeroporto.
Entenda o contexto
A paralisação nacional teve início à meia-noite desta quinta-feira e foi convocada em reação à reforma trabalhista proposta pelo governo Milei. A CGT argumenta que o projeto altera direitos históricos dos trabalhadores e defende maior debate sobre o texto.
Com o avanço da proposta na Câmara dos Deputados, o clima político no país segue acirrado, e novas mobilizações não estão descartadas nos próximos dias.


Por Redação RSC, com informações do G1

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