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Cinema que nasce da areia: Cineclube Bicuíra ocupa bairros de Imbituba com filmes e debates gratuitos
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Imagem Divulgação - Cinema que nasce da areia: Cineclube Bicuíra ocupa bairros de Imbituba com filmes e debates gratuitos
Sessões circularam por escolas, associações e espaços culturais entre 2025 e 2026, aproximando o cinema da realidade local
Nem sempre o cinema em Imbituba passa pela sala escura tradicional. Entre março de 2025 e janeiro de 2026, quem frequenta escolas, associações, clubes e espaços culturais da cidade acabou encontrando algo diferente na rotina: cadeiras organizadas, tela improvisada e, depois do filme, conversa aberta. Foi assim que o Cineclube Bicuíra circulou pelo município, exibindo gratuitamente produções catarinenses e filmes independentes de várias regiões do país.
A proposta foi além da exibição. Cada sessão virou ponto de encontro para discutir temas que fazem parte do dia a dia local, como meio ambiente, cultura, identidade e pertencimento. Os debates aconteceram em formato circular, com troca direta entre público, realizadores e mediadores, sem discurso engessado. A ideia sempre foi aproximar o cinema da realidade de quem vive a cidade o ano inteiro, não só na alta temporada.
O projeto foi viabilizado por meio do Prêmio Catarinense de Cinema 2024, com apoio da Fundação Catarinense de Cultura e do Governo do Estado de Santa Catarina, e dá continuidade à experiência iniciada em 2024. Ao longo dos meses, o Cineclube Bicuíra construiu parcerias com diferentes espaços, ampliando o acesso a filmes que raramente chegam ao circuito comercial.
O nome do projeto também carrega identidade local. “Bicuíra” é um termo bastante conhecido no litoral sul, usado para se referir a quem nasceu ou vive na praia. A palavra, possivelmente de origem tupi, remete à ideia de “quem vive na areia” e, por muito tempo, marcou a distinção entre moradores e veranistas. Hoje, segundo a produtora Alana Meneghel, o sentido é outro. “É sobre conexão com o ambiente natural e responsabilidade com o lugar onde se vive. O cineclube nasce dessa relação e usa o cinema como ferramenta para construir conhecimento e sensibilidade”, explica.
Além das sessões, o projeto também investe em formação. Ainda neste mês, será realizado um minicurso de Produção Audiovisual de Guerrilha, ministrado pelo artista e produtor cultural Srael Libertu Andrade. A atividade busca apresentar caminhos práticos para quem quer produzir conteúdo audiovisual com poucos recursos, apostando na cultura como ferramenta de transformação social.
O encerramento desta edição já tem data, hora e lugar marcados. A última sessão ocorre no dia 17 de janeiro, às 20h, na Feira de Itapirubá, na praça central do bairro, ponto conhecido pela movimentação noturna e pelos encontros de moradores. Na tela, o público confere o filme “Velas na Areia”, dirigido por Srael Libertu Andrade e Vanessa Cargnin, produção realizada em Laguna.
O documentário mergulha nas festividades em homenagem à Orixá Iemanjá, realizadas todos os anos no dia 2 de fevereiro, data reconhecida por lei como o Dia da Cultura Afro-brasileira em Laguna. A obra revela a relação profunda entre o mar e a população do complexo lagunar, abordando a diversidade de origens dos participantes dos cultos e resgatando a história negra da região, muitas vezes pouco visível no cotidiano.
Mais informações sobre o Cineclube Bicuíra, agenda e atividades podem ser acompanhadas pelo Instagram do projeto:
https://www.instagram.com/cineclube_bicuira/
Para quem conhece Imbituba fora do cartão-postal, iniciativas como essa ajudam a ocupar espaços, provocar conversa e lembrar que cultura também se constrói em roda, com filme, cadeira de plástico e gente disposta a escutar.
Por Redação RSC

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