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Pelé: o Rei que continua sendo o parâmetro

  • Foto Divulgação Reprodução - Pelé: o Rei que continua sendo o parâmetro

Mais do que um campeão, Pelé transformou-se no padrão eterno pelo qual todas as gerações de craques são julgadas

Caro leitor do RSC Portal, como é bom voltar a escrever algumas palavras por aqui, principalmente quando o assunto é algo que gosto tanto de me aprofundar, ou seja, a história do nosso futebol. Desde já te convido a interagir, discordar se for o caso e me ajudar nas próximas pautas sugerindo assuntos a serem abordados. Nosso e-mail: impresso.redacao@gmail.com. Bora pro texto?

Passam-se as décadas, mudam os esquemas táticos, evolui a preparação física, surgem novas gerações de craques e o futebol segue produzindo talentos extraordinários. Ainda assim, existe uma constante que atravessa o tempo: toda grande estrela acaba sendo comparada a Pelé.

E talvez seja justamente aí que resida a maior prova de sua grandeza. Mais de 70 anos após encantar o mundo pela primeira vez, o Rei do Futebol continua sendo o parâmetro utilizado para medir a excelência dentro das quatro linhas. Não importa a época, a nacionalidade ou o estilo de jogo. Quando surge um fenômeno, inevitavelmente surge a pergunta: ele chegou ao nível de Pelé?

A resposta para essa permanência histórica está na singularidade de sua trajetória e de seu jogo. Antes mesmo de alcançar a maioridade, Pelé já demonstrava um talento fora do comum. Aos 13 anos, começou a atuar em equipes amadoras e rapidamente chamou a atenção pela habilidade, inteligência e capacidade de marcar gols. Poucos anos depois, aos 17, disputaria sua primeira Copa do Mundo e escreveria uma das histórias mais impressionantes da competição.

Na Copa de 1958, na Suécia, Pelé marcou o gol da vitória sobre o País de Gales nas quartas de final. Na semifinal, anotou três gols contra a França, tornando-se até hoje o jogador mais jovem a marcar um hat-trick em uma partida de Copa do Mundo. Na decisão, diante dos anfitriões suecos, marcou duas vezes e ajudou o Brasil a conquistar seu primeiro título mundial. Com apenas 17 anos, tornou-se campeão do mundo e permanece até hoje como o jogador mais jovem a marcar um gol em uma Copa do Mundo. Depois o Bi e o Tri, a própria história se carrega de contar.

Esses feitos, por si só, já seriam suficientes para garantir um lugar de destaque na história do esporte. Mas a carreira de Pelé foi muito além disso.

Pelé não foi necessariamente o mais inteligente taticamente da história, atributo frequentemente associado ao holandês Johan Cruyff. Também não foi, isoladamente, o finalizador mais letal, característica que muitos enxergam no argentino Alfredo Di Stéfano ou no português Cristiano Ronaldo. Não era apenas a genialidade plástica do argentino Diego Maradona ou do brasileiro Ronaldinho Gaúcho, tampouco a modernidade técnica que marca a carreira do argentino Lionel Messi.

O diferencial de Pelé era outro. Ele reunia tudo isso. Era um jogador capaz de organizar, criar, finalizar, driblar, cabecear, marcar gols de todas as formas imagináveis e decidir partidas nos maiores palcos do futebol mundial numa época que não havia cartão muito menos tecnologia na medicina esportiva. Sua genialidade não estava em uma única característica levada ao extremo, mas no impressionante compilado de qualidades que formava um atleta praticamente completo e muito acima da média.

Por isso, quando se tenta apontar quem foi o maior de todos os tempos, a discussão frequentemente esbarra em uma questão geracional. Muitos não viram Pelé jogar e acabam julgando sua trajetória apenas por números, vídeos antigos ou relatos históricos. Mas a história não perde valor porque o tempo passou.

Da mesma forma que Jimi Hendrix continua sendo reverenciado como um dos maiores guitarristas de todos os tempos por quem entende de música, mesmo entre aqueles que jamais o viram subir a um palco, Pelé mantém seu lugar no topo do futebol mundial pela dimensão de seu legado.

O Rei não é apenas uma lembrança do passado, é uma referência permanente. E talvez o maior privilégio do futebol seja justamente este: continuar produzindo craques capazes de desafiar os limites do jogo, sem jamais conseguir apagar a figura daquele que, mais de sete décadas depois, ainda serve como régua para todos os demais.

Pelé: o Rei que continua sendo o parâmetroFoto Divulgação Reprodução

Por João Moraes Filho - Redação RSC


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