Aparição de peixe gigante destaca riqueza natural de SC
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Foto Divulgação Reprodução - Aparição de peixe gigante destaca riqueza natural de SC
Registro inédito de meros na Baía Babitonga reforça importância da preservação da espécie ameaçada
Imagens inéditas registradas durante um mergulho de monitoramento revelaram a presença de meros, conhecidos como “gigantes gentis do mar”, nas proximidades da Baía Babitonga. O registro recente chamou a atenção de pesquisadores e reforça a importância da região para a conservação da espécie, considerada criticamente ameaçada de extinção.
A expedição faz parte do trabalho do Projeto Meros do Brasil, que há anos acompanha uma área de agregação desses peixes. Os mergulhos mais recentes ocorreram no fim de janeiro, dentro da rotina anual de monitoramento. No local, cerca de 30 meros já foram identificados, alguns deles marcados com transmissores para estudos de comportamento.
Segundo os pesquisadores, os animais costumam se concentrar em estruturas como naufrágios e píeres, onde encontram abrigo e zonas de sombra. Apesar do tamanho, o mero é um peixe de comportamento tranquilo, curioso e com pouca mobilidade, o que contribui para o apelido de “gigante gentil”.
Considerado um dos maiores peixes ósseos do Atlântico, o mero pode chegar a até dois metros de comprimento. Sua forma de caça também chama atenção: ele permanece parado e, ao perceber a presa, utiliza um movimento de sucção para capturá-la.
A presença desses animais na região está diretamente ligada ao ciclo de reprodução. Áreas como estuários e manguezais, caso da Baía Babitonga, são essenciais para o desenvolvimento da espécie. Durante o verão, os meros formam agregações para se reproduzir, comportamento incomum para um animal geralmente solitário.
De acordo com especialistas, as larvas precisam ser levadas pelas correntes até os manguezais, onde permanecem durante os primeiros anos de vida. Apenas por volta dos sete anos os peixes migram para o mar aberto, já com peso significativo, mas ainda menores que os adultos.
Apesar dos registros recentes, a espécie enfrenta sérias ameaças. A destruição de habitats, a pesca predatória e a comercialização ilegal são os principais fatores de risco. A pesca do mero é proibida no Brasil desde 2002, mas o longo ciclo de vida do animal ainda dificulta a recuperação da população.
Para os pesquisadores, o reaparecimento e o monitoramento desses peixes são fundamentais para entender o comportamento da espécie e reforçar a necessidade de preservação dos ambientes marinhos em Santa Catarina.
Por Redação RSC

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