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Paixão de Cristo de Garopaba: 12 anos de um espetáculo construído a muitas mãos

  • Foto: Arquivo Pessoal da Gojiaf - Paixão de Cristo de Garopaba: 12 anos de um espetáculo construído a muitas mãos

Encenação que une fé, arte e participação comunitária transforma as ruas de Garopaba durante a Semana Santa e convida público a viver uma experiência imersiva nesta Sexta-feira Santa (03)

O que começou em 2012 como uma pequena representação inspirada no cinema chega à sua 12ª edição, em 2026, consolidado como um dos principais eventos religiosos e culturais de Garopaba. A encenação da Paixão de Cristo não é apenas um espetáculo: é um projeto coletivo que mobiliza a comunidade e transforma o Centro da cidade em um grande palco a céu aberto.


Reunião do grupo em 2019



A origem da iniciativa mistura fé e vocação artística. “Foi uma mistura dos dois”, resume Vinicius, um dos organizadores. O projeto nasceu a partir de uma conexão com um grupo do Campeche e encontrou em Garopaba um coletivo já ligado à música e à igreja. “Ele foi atrás de um grupo ligado à igreja porque ficava mais fácil de manter e escolheu o nosso grupo justamente por essa tendência artística.”



O primeiro roteiro, inspirado no filme A Paixão de Cristo, era quase uma adaptação literal da produção de Mel Gibson. Com o tempo, porém, o grupo desenvolveu uma identidade própria. “Hoje o roteiro que a gente utiliza já é totalmente fora daquilo que era o primeiro,a gente consegue montar nossa narrativa a partir de diferentes pontos de vista.”

Um marco nessa transformação foi a adaptação conduzida por Mariana Pacheco, apontada como uma das responsáveis por aprofundar a linguagem artística do espetáculo. Desde então, a encenação evoluiu de uma simples peça teatral para uma produção musical completa, com banda ao vivo e trilha executada durante toda a apresentação.

Outro diferencial é a narrativa construída sob o olhar de Simão Cirineu, personagem bíblico que ajuda Jesus a carregar a cruz. A escolha aproxima o público da história: “No momento em que Cirineu é convidado a carregar a cruz, os espectadores também são convidados para que vivam essa experiência próxima.”

A força da encenação está na construção colaborativa. Sem hierarquia rígida, o projeto é desenvolvido “a muitas mãos”, com participação ativa de todos os envolvidos. “Nunca existiu uma hierarquia direta, a gente senta, conversa e tudo vai recebendo contribuições”, explica a organização.

São cerca de 50 dias de preparação, com ensaios quatro vezes por semana. A complexidade da montagem exige até encontros em horários incomuns. “A gente precisa utilizar a rua, então ensaiamos de madrugada, quatro vezes na semana, portanto são quatro dias da semana tomados pela encenação para fazer acontecer.”

O trajeto, que percorre aproximadamente dois quilômetros entre igrejas da cidade, transforma as ruas em cenário e envolve diretamente o público. O evento já chegou a reunir mais de mil espectadores e conta com apoio da Prefeitura para estrutura de som, iluminação e logística.



Mesmo com esse crescimento, o espírito artesanal segue como marca do projeto. “É sempre a partir desse pouco de muitos que dá certo”, resume Vinicius. A produção ainda depende de doações e criatividade coletiva, desde figurinos até efeitos cênicos.

“A gente faz a confecção de sangue falso, um compra o corante, outro compra o mel”, relata. No início, as túnicas eram feitas com lençóis antigos dos próprios participantes. Hoje, já há maior cuidado com a fidelidade estética, embora o grupo ainda busque recursos para alcançar materiais mais próximos dos utilizados na época retratada.



A encenação também se destaca como espaço de formação e integração, especialmente para jovens. “A Paixão de Cristo é e sempre foi uma grande porta de entrada para a juventude”, afirma.

Mais do que atuar, os participantes se envolvem em todas as etapas da produção. “Ele vai estar com a mão na massa, montando cenário, desenvolvendo roupa”, descreve. Esse envolvimento gera identificação: “Quando ele vê o resultado, pensa ‘isso aconteceu porque eu também coloquei as minhas mãos nisso’.”

O projeto também promove o encontro entre gerações. “Temos pessoas de mais idade que nos ajudam há anos, tudo o que constrói a encenação é muito maior do que o que as pessoas enxergam.”

A cada edição, o espetáculo avança em estrutura e qualidade. Para 2026, a expectativa é de uma apresentação ainda mais impactante. “A gente chega a cada ano em um patamar de estrutura maior”, destaca a organização.

Entre os destaques estão a ampliação do número de participantes, melhorias na sonorização e um novo trabalho de iluminação, especialmente pensado para a apresentação no fim da tarde e início da noite. “A gente tem todo um jogo de iluminação que dá um clima muito diferente.”



Apesar dos avanços, o grupo ainda busca maior independência financeira para realizar projetos mais ambiciosos, como a construção de cenários próprios. “Hoje a nossa cruz fica com cerca de 1,20m e queremos uma de dois metros, mas precisamos de investimento.”

Mesmo com o crescimento técnico, o objetivo central permanece o mesmo: provocar uma experiência espiritual no público. “Se eu puder deixar só um desejo  é que até o fim ela tenha como cerne levar as pessoas a uma experiência com Deus.”

A proposta vai além da estética. “Nosso objetivo não é que no final as pessoas aplaudam é que digam: ‘isso me tocou, isso fez diferença pra mim’.”

A encenação da Paixão de Cristo acontece nesta Sexta-feira Santa (03), a partir das 17h30, nas ruas centrais de Garopaba. O evento é gratuito e aberto ao público.

A organização convida a comunidade a participar seja acompanhando a apresentação ou contribuindo como voluntário em um espetáculo que, ano após ano, reafirma seu lugar como símbolo de fé, cultura e união na cidade.



Por Redação RSC

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