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Conheça a Emília Imbitubense: contadora de histórias se transformar na boneca de pano e encanta crianças

  • (Imagem RSC) - Conheça a Emília Imbitubense: contadora de histórias se transformar na boneca de pano e encanta crianças

“Quando criança, eu era fascinada pelo Sítio do Pica-Pau Amarelo, e ainda sou até hoje”

Na última quinta-feira (18), foram comemorados o Dia Nacional do Livro Infantil e o Dia de Monteiro Lobato. Para engrandecer essa data, o RSC Portal entrevistou uma pessoa com grande afinidade com os dois, os livros e Lobato. A professora e escritora imbitubense Alba da Rosa Vieira que decidiu dar vida a Emília, personagem de Monteiro Lobato, para contar suas histórias. 

Alba faz parte da Acadêmia de Letras do Brasil de Santa Catarina e é Diretora Presidente do Núcleo de Contadores de Histórias da academia. A professora sempre foi apaixonada pela arte de contar histórias, sendo convidada ao cargo de diretora do Núcleo de Contadores pelo Presidente Professor Miguel João Simão, no início do projeto. 

Atualmente todos os municípios da AMUREL possuem um núcleo de contatores, sendo Imbituba a cidade pioneira da região. 

Aos 58 anos, a professora conta com 40 anos de experiência em sala de aula. Mesmo após 10 anos de aposentadoria, ela continua em contato com as crianças, inclusive nas quintas-feiras, seus dias de folga, que ela dedica a contação de histórias. “Enquanto eu tiver saúde e vontade eu vou continuar em sala de aula” afirmou ela. 



Contação de histórias

A casa da contadora de histórias é uma verdadeira extensão do seu trabalho, a equipe do RSC Portal pode presenciar o pequeno “universo” de Alba, onde são encontrados livros gigantes, fantasias de personagens, bonecos, decorações e tudo o que for necessário para se contar uma boa história. 

Alba leva para as escolas diversas narrativas, que ela conta fantasiada da boneca da pano de Monteiro Lobato. “Quando criança, eu era fascinada pelo Sítio do Pica-Pau Amarelo, e ainda sou até hoje. A Emília, ela é literalmente infantil, falou em Emília, já se imagina ela saindo da caixa. Quando vc vai falar de Monteiro Lobato, lembramos do Sítio do Pica-Pau Amarelo. A Emília é a estrela do programa”, disse ela



Outra paixão da professora é uma personagem de grande presença. Anita Garibaldi entra em cena quando a história é o Batismo de Fogo de Anita Garibaldi. Com cabelos negros e roupas caracteríticas Alba interpreta a mulher que marcou a história de Imbituba. 

“Diferentemente da Emília, ela não é um personagem fictício, ela é real.  Quando a professora Alba é a Emília, ela realmente é a Emília, incorpora o personagem mesmo. Agora, quando interpreto a Anita Garibaldi, é diferente, uma postura diferente. Anita é um personagem verídico, uma mulher guerreira, que lutou ao lado do seu esposo Garibaldi. Ela estava bem à frente de suas situações, em posição de liderança e atuante. Se hoje é levantada a pauta de empoderamento da mulher, devemos a Anita Garibaldi, tomando a frente, sendo mãe, esposa, foi soldado, foi guerreira e nunca desistiu”, explicou Alba.

De acordo com a contadora, a facilidade em se comunicar sempre foi uma habilidade dela, característica que, como ela gosta de lembrar, tem tudo a ver com a sua personagem. “Eu sempre fui falante, igual a Emília. Sempre fui muito comunicativa, tanto para falar para uma pessoa, quanto para mil pessoas, sempre me sinto muito à vontade”, contou ela. 

“Algumas pessoas têm uma certa dificuldade para se comunicar e isso pode ser trabalhado desde criança. Um dos meus maiores objetivos em levar os personagens e contar as histórias é que as crianças possam interagir”, compartilhou a professora. 



Professora Alba 

Alba fez mestrado em Ciências da Linguagem, buscando se aprimorar naquilo na profissão que escolheu seguir. A professora disse que muitas pessoas questionam a decisão de permanecer em sala de aula, mesmo após o mestrado. “Por que eu sei que é lá que eles precisam dos mestres”, respondeu ela. 

“Eu não busquei ser mestre apenas por currículo, mas sim buscar me aprimorar naquilo que eu acreditava”, acrescentou.

Alba faz parte de uma família de 12 irmãos, com sete mulheres, dessas, 6 escolheram seguir a profissão de professora. 

Parceiros na vida e nas histórias 

A contadora de histórias está sempre muito bem acompanhada em suas contações. Luiz Vieira, seu esposo, é seu grande parceiro e, de acordo com ele, “assistente de palco”. O casal está junto há 40 anos e tem um filho.

Luiz é quem tira muitos dos projetos da esposa do papel. Com grande facilidade para ampliar desenhos, ele passou a ajudar Alba a criar cenários e outras coisas que possam ajudar a tornar as histórias ainda mais memoráveis. 

“É um trabalho que dignifica muito. Quem faz com amor não se arrepende e quem ajuda com amor também não se arrepende”, declarou ele.



Livros

Alba também é escritora e tem dois livros infantis publicados, “A Vovó Coruja” e “O Batismo de Fogo de Anita Garibaldi em Imbituba”. 

“A Vovó Coruja” narra a amizade que nasce entre uma coruja Imbitubense e uma baleia franca que vem visitar a cidade. A coruja mora na Torre da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição e é de lá que ela avista, lá na Praia da Vila, a Baleia Franca. Elas saem juntas e visitam diversos pontos turísticos do município. 

O segundo livro, “O Batismo de Fogo de Anita Garibaldi em Imbituba” narra a história da heroína brasileira, catarinense, que aconteceu no Mirante da Divinéia. “Eu queria dar a oportunidade para que as crianças e seus familiares conhecessem essa história e ficassem sabendo que isso aconteceu aqui na nossa cidade. Transformar um momento histórico e verídico em um livro da literatura infantil foi bem difícil. Tinha que usar novas palavras, para que elas atingissem o público infantil e o adulto, para que eles também pudessem fazer a releitura deste fato”, explicou a escritora.



Um conselho especial

O RSC pediu que Alba deixasse um conselho para os leitores, e dentre tantas possibilidades, ela escolheu falar sobre a importância de ser parte ativa na vida dos filhos. 

“Eu lhes digo, aproveitem cada momento com seu filho. Se não der tempo de contar uma história, pelo menos pergunte “como foi seu dia?”, e também fale de seu dia pra ele. Não deixe ficar aquela coisa rotineira, de dar banho, fazer a janta, dar banho e fazer almoço. Estamos aqui de passagem. Tenho recordação dos meus pais, lembro até hoje, parece que eles estão sempre ao meu lado. Levo isso para o meu filho, e vejo que ele tem passado isso para a minha neta”, aconselhou ela emocionada.

“Aproveite cada momento! Não vai ser para sempre que você vai levar seu filho para a escola, são 7 anos e passa rápido, pois depois que ele vai crescendo ele vai ter outra vida, outros gostos e ambições, não ficando ao seu lado todos os dias. Aproveite seu período enquanto criança, construa memórias com seu filho. Pois quando você não estiver aqui, sempre estará no coração dele”, acrescentou a escritora, contadora de histórias, professora e mãe, Alba.

Por Duda Indalêncio

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