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Duas baleias encalham em Santa Catarina no começo da temporada; entenda o por quê

  • - Foto: Instituto Australis

Este fenômeno ocorre tanto com animais saudáveis quanto doentes

Todos os anos, as baleias-franca visitam o Sul de Santa Catarina, principalmente em Imbituba, a Capital Nacional da Baleia Franca. Entre julho e novembro, os cetáceos tomam conta das praias e enseadas litorâneas para se reproduzir.

Durante este começo de temporada, vídeos de encalhe viralizam nas redes sociais. Este fenômeno ocorre tanto com animais saudáveis quanto aqueles feridos (ou mortos), que são arrastados pelo vento até a praia. Às vezes, grupos de animais marinhos encalham juntos, em um fenômeno conhecido como encalhe em massa. Outras vezes, uma determinada região testemunha um número incomum de encalhes em um período de tempo.

Entenda o motivo deste fenômeno

“Os encalhes podem acontecer quando os animais estão doentes, geralmente essa é a principal causa dos encalhes. Mas, eventualmente, pode acontecer quando os animais se perdem, e a gente acha, que o filhote que encalhou aqui em Imbituba na semana passada dia 24/06, pode ter se perdido da mãe e entrado nos bancos de areia que tinha naquela região, e por isso acabou encalhando, muitas vezes isso também acontece”, informa Karina Groch, bióloga e diretora de pesquisa do Instituto Australis para a equipe do RSC Portal.

Segundo Karina, a idade do animal é fator fundamental para o encalhe. “Às vezes o animal é inexperiente, pois ainda é jovem, assim, desconhecendo o local que se encontra. No caso do filhote, que é recém nascido, ele não sabe de nada ainda, ele aprende tudo com a mãe depois que ele nasce”, destaca ela.

Cronologia dos encalhes em SC até agora

O primeiro caso de encalhe da temporada de 2024 foi protagonizado no dia 24/06, quando um filhote de baleia foi encontrado encalhado na Praia de Ibiraquera, em Imbituba (SC). O animal chegou a ser avistado novamente no dia 28, porém, infelizmente foi localizado às margens da praia sem vida na manhã do dia 30/06. “Sem reencontrar a mãe, lamentavelmente não resistiu, provavelmente por falta de alimento”, informa Karina Groch.

"Desde o dia do resgate ficamos apreensivos, pois durante os primeiros meses de vida a sobrevivência do filhote depende exclusivamente do leite materno”, explica Karina, reforçando que eles permanecem até um ano com a mãe. De acordo com os profissionais do ProFRANCA, a ausência de ciamídios (piolho-de-baleia) no filhote também já era um indicativo de que não houve interação com indivíduos adultos.

O Protocolo de Encalhes e Emalhes da APA da Baleia Franca/ICMBio foi acionado na ocasião, representado pelo Instituto Australis e pela Universidade do Estado de Santa Catarina/UDESC. 

Encalhe na Praia de Ibiraquera - Foto: Instituto Australis


O segundo encalhe de baleia-franca desta temporada em Santa Catarina foi registrado na tarde da última terça-feira (02). De acordo com informações da Prefeitura de Arroio do Silva à ONG Educamar, que acionou o Protocolo de Encalhes e Emalhes da Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca (ICMBio). 

De acordo com Karina Groch, tratou-se de uma fêmea com 5,3 metros de comprimento que, segundo a bióloga, indica algumas semanas de vida do animal. Conforme a avaliação preliminar, o filhote encalhou já em óbito e em avançado estado de decomposição.

Apesar de o local não fazer parte da APA da Baleia Franca, o ProFRANCA/Instituto Australis, que monitora e estuda as baleias-francas no litoral catarinense, registrou e participou da ocorrência. A necrópsia foi feita  em uma parceria entre a Educamar e veterinários do Setor de Patologia Veterinária/FAVET/UFRGS, com o apoio da Prefeitura de Arroio do Silva, com o objetivo de tentar identificar a causa da morte.


Encalhe em Arroio do Silva - Foto: Instituto Australis


Veja como funciona o procedimento de desencalhe

O Protocolo de Encalhes da APA da Baleia Franca é um programa desenvolvido para prestar assistência aos mamíferos marinhos encalhados, estabelecendo assim diretrizes entre as instituições executoras deste plano para o desenvolvimento de ações coordenadas para diminuir os casos.

Em situações de emergência que envolvam risco de vida para os animais marinhos e pessoas próximas a eles, como o encalhe, é necessário um grande número de pessoas habilitadas para agir, de forma coordenada. Por isso, a notificação ágil aos órgãos responsáveis sobre uma situação assim é fundamental para a sobrevivência do animal, assim como para obtenção de informações necessárias para adoção de medidas de manejo e conservação destas espécies marinhas.

A coordenação do Protocolo de Encalhes na Unidade é formada pela APA da Baleia Franca/ICMBio, Projeto Baleia Franca, Associação R3 Animal, Universidade do Estado de Santa Catarina/UDESC/CERES, Museu de Zoologia Professora Morgana Cirimbelli Gaidzinski da UNESC, Corpo de Bombeiros, Capitania dos Portos e Policia Militar Ambiental.

Outras informações sobre como ajudar

Em caso de animais vivos

– Não tente devolver o animal para a água, pois pode ser perigoso;

– Obtenha fotografias do animal, possibilitando a identificação da espécie e documentação do caso.

– Proteja a sua saúde

– Evite respirar o ar expirado pelos animais;

– Não se aproxime da cauda. São animais grandes em situação de debilidade física, que podem se tornar ariscos com a aproximação de outros indivíduos e causar ferimentos.

Por Leandro Silveira

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