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Projeto de lei quer mudar hino de SC por letra representativa e que 'traduza a história dos catarinenses'; entenda
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- Projeto de reajusto do salário mínimo regioanl foi aprovado por unanimidade — Foto: Alesc/ Divulgação
Projeto busca criar um concurso para eleger nova música com uma letra citando as "belezas naturais, a cultura catarinense e sua história".
Um projeto de lei que quer mudar o hino de Santa Catarina será discutido em audiência pública no dia 15 de agosto na Assembleia Legislativa (Alesc), em Florianópolis. A proposta cita a letra do hino atual como "abolicionista" e já provocou reações e críticas entre parlamentares e pessoas ligadas à cultura. Entenda.
O projeto foi apresentado em fevereiro pelo deputado Ivan Naatz (PL). O objetivo é criar um concurso para eleger a nova música com uma letra citando as "belezas naturais, a cultura catarinense e sua história", segundo o projeto.
No texto, Naatz destacou que o projeto não busca desrespeitar a importância do hino, mas sim "melhor traduzir a história dos catarinenses". A canção foi composta em 1892, com letra de Horácio Nunes Pires e música de José Brazilício de Souza. Ela se tornou a canção-símbolo do estado em 1895.
O que diz o projeto
Para Naatz, muitos catarinenses não conhecem o hino e não sabem cantá-lo. No pedido para a audiência pública, feito em 2 de maio de 2023, o deputado acrescentou que a letra "nunca caiu no gosto e na memória popular" e que "apresenta um aspecto geral abolicionista, e talvez por isso seja considerado pouco representativa”.
"Apesar de ser considerado um símbolo do Estado, o atual hino foi escrito num determinado momento histórico e político do país, no século XIX, e que em nada retrata os valores e potencial catarinense, além de nunca ter caído no gosto e na memória popular", diz um trecho do texto.
Na audiência pública, o deputado pretende ouvir sugestões para a formação do edital de convocação do possível concurso e da comissão especial que seria formada para escolher o novo hino. O vencedor do hino receberia um valor que ainda será discutido.
O que pensam
Para o presidente do Conselho Estadual de Cultura, Luiz Moukarzel, a letra tem forte caráter abolicionista e que, por isso, seria um dos mais avançados do Brasil. O músico e escritor afirmou que o fato de o hino ser pouco conhecido ocorre porque o governo o divulga pouco.
"Se fosse mais divulgado, elas conheceriam. O hino de Santa Catarina é motivo de orgulho catarinense, de ponta, de modernidade, de uma visão de estadista. Mudar isso seria o maior dos absurdos", disse.
Composta poucos anos após a abolição da escravidão e do fim do Império e início da República no país, a letra tem versos que se referem aos fatos da época, como: “Quebrou-se a algema do escravo e nesta grande nação, é cada homem um bravo, cada bravo, um cidadão”.
O musicista André Felipe Carpes acredita que o debate em relação ao hino é necessário, mas elogia a parte musical da canção. "Como musicista, reconheço a beleza e poesia que Horácio Nunes Pires e José Brazilício de Souza conseguiram expressar naquela melodia escrita em uma simples folha de solfa".
"O debate atual é causado pelo fato de que o hino foi escrito com um propósito diferente do que foi destinado, sua letra não faz menção alguma ao Estado, à história, às realizações de catarinenses ilustres, etc. Nosso hino poderia ser adotado em qualquer outro estado do Brasil e seria o mesmo: genérico", opina.
Ele lembrou que outros estados brasileiros e até países já tiveram modificações nas próprias canções-símbolo.
"Mudanças e atualizações em hinos não são novidades. Nós brasileiros também não ficamos atrás neste quesito, basta observar a história do nosso Hino Nacional, em que, com a proclamação da República, buscou-se um hino novo, mas, após a apresentação de diversos hinos novos (inclusive o Hino de Santa Catarina), o então presidente Deodoro da Fonseca disse: 'prefiro o velho'".
"Talvez a solução seja algo democrático, como uma consulta ao povo", conclui.
Tentativa de mudança
Essa não é a primeira vez que uma proposta de mudança no hino é discutida na Alesc. Em 2010, o deputado Gilmar Knaesel (PSDB) apresentou um projeto sugerindo a alteração. Uma comissão chegou, mas o Conselho Estadual de Cultura se manifestou de forma contrária à alteração.
Fonte: g1 sc

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