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Allan Royer: Avatar 3 me provou que James Cameron ainda tem muito a dizer
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Imagem Reprodução Internet - Avatar 3 me provou que James Cameron ainda tem muito a dizer
Por Allan Royer
Vou ser direto: sim, Avatar 3 funciona. E funciona muito bem. Avatar: Fogo e Cinzas não tenta reinventar Pandora, mas aprofunda aquilo que a franquia já construiu ao longo de mais de uma década. James Cameron deixa claro que não está interessado apenas em espetáculo visual. Ele quer expandir universo, personagens e, principalmente, conflitos.
Diferente do impacto quase revolucionário do primeiro filme, aqui a sensação é outra. Não existe mais o fator surpresa. Pandora já é conhecida. Ainda assim, Cameron encontra um caminho inteligente ao tornar a história mais sombria, mais emocional e, em vários momentos, desconfortável. O luto pela morte de Neteyam ainda pesa, e isso contamina cada decisão da família Sully. Nada é leve em Fogo e Cinzas. Nem quando o filme desacelera.
A introdução do Povo das Cinzas é, para mim, o grande acerto do longa. A ambientação vulcânica muda completamente o clima da narrativa e reforça essa ideia de um mundo em ebulição, literal e simbólica. Varang, vivida por Oona Chaplin, foge do vilão caricato. Ela não é má por ser má. É uma líder moldada por convicções, dor e sobrevivência. Isso torna os confrontos mais interessantes e menos previsíveis.
Mesmo assim, o filme não abandona uma característica clássica da franquia: as dicotomias. Cameron tenta escapar do maniqueísmo, mas nem sempre consegue. Fogo e cinzas, fé e descrença, tradição e ruptura. Em vários momentos, a narrativa ainda empurra personagens para extremos bem definidos. Isso não estraga o filme, mas revela que Avatar continua confortável em dividir o mundo entre lados bem marcados.
O núcleo jovem ganha força e, sinceramente, já carrega o futuro da saga nas costas. Kiri e Spider são os personagens mais intrigantes dessa fase. A conexão de Kiri com Pandora se aprofunda e levanta mais perguntas do que respostas. Spider, por sua vez, é o reflexo do conflito entre mundos, pertencendo a todos e a nenhum ao mesmo tempo. Cameron claramente prepara uma passagem de bastão, mesmo que ainda relute em soltar Jake Sully de vez.
Visualmente, não há discussão. Avatar segue em um patamar acima. A ambientação vulcânica não serve apenas como pano de fundo bonito. Ela impõe perigo, tensão e sensação constante de instabilidade. É um espetáculo técnico que não existe apenas para impressionar, mas para contar história. E isso faz diferença.
Talvez o maior “problema” de Avatar 3 seja justamente ser o filme do meio. Ele não fecha grandes arcos e deixa muito em aberto. Algumas resoluções são previsíveis, e o impacto emocional não atinge o mesmo pico dos filmes anteriores. Ainda assim, isso parece intencional. Fogo e Cinzas é uma ponte. Um capítulo de amadurecimento.
No fim das contas, saí do cinema com a sensação de que Avatar não perdeu relevância. Pelo contrário. Cameron transforma sua fantasia em um comentário cada vez mais político, ambiental e humano. Não é mais sobre conhecer Pandora. É sobre entender o que acontece quando um mundo começa a queimar por dentro.
E isso, gostemos ou não, diz muito mais sobre nós do que sobre os Na’vi.

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