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He-Man volta maior do que a nostalgia
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Imagem Reprodução Internet - He-Man volta maior do que a nostalgia
Por Allan Royer
He-Man nunca foi exatamente da minha geração. Quando o desenho passava no Gloob, lá por 2013, eu assistia meio por acaso, sem compromisso, como quem cai num episódio entre um programa e outro. Não era algo que eu acompanhava religiosamente, não colecionava boneco, não sabia o nome de todos os personagens. Mas, mesmo assim, tinha algo ali que chamava atenção. Um exagero assumido, uma fantasia sem vergonha de ser fantasia.
O desenho era simples, quase ingênuo. Histórias diretas, vilões bem definidos, heróis maiores do que a vida. Nada de grandes reviravoltas ou discursos profundos. Ainda assim, funcionava. Talvez justamente por isso. He-Man nunca tentou ser complexo demais. Ele empunhava a espada, gritava pelo poder de Grayskull e pronto. O bem contra o mal estava resolvido em vinte minutos, com uma lição final que hoje parece até cafona, mas que, na época, fazia sentido.
Agora, mais de uma década depois dessas exibições no Gloob, He-Man retorna em forma de live-action. E confesso que minha primeira reação não foi empolgação, foi curiosidade. Porque esse não é um personagem que eu carrego no coração, mas é um símbolo que sempre esteve no fundo do imaginário coletivo. Mesmo quem não era fã sabia quem ele era. Isso diz muita coisa.
O trailer do novo Mestres do Universo parece entender essa essência. Não tenta negar o exagero, nem fugir da estética grandiosa. Eternia continua sendo um mundo estranho, colorido e dramático. A transformação de Adam em He-Man não soa como piada, soa como rito. E isso importa. Porque adaptar He-Man nunca foi sobre realismo. Sempre foi sobre assumir o absurdo e fazer dele algo épico.
Talvez eu esteja mais interessado nesse filme justamente por não ter um apego cego ao desenho. Posso olhar com distância, sem a necessidade de comparar cada detalhe com a animação original. E, ainda assim, reconhecer quando algo respeita a própria origem. He-Man volta não para agradar apenas quem cresceu nos anos 80, mas também quem, como eu, conheceu esse universo de forma tardia, fragmentada, quase acidental.
No fim das contas, essa volta em live-action parece menos uma tentativa de reviver um passado intocável e mais uma chance de reapresentar um ícone. Não sei se o filme vai ser ótimo. Mas sei que ele entende algo fundamental: He-Man nunca precisou pedir desculpa por ser grande, simples e exagerado. E talvez seja exatamente isso que faça sentido agora.

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